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Colaborações especiais

 

Inauguramos hoje as participações especiais no blog da Translators101. A primeira participação é de Katherine Schirmer-Tully, com a tradução de um artigo de Marta Stelmaszak (Revisão: Vivian Federicci). O original pode ser encontrado em

Lesson 138: A letter to my younger self as a translator

 

 

Lição 138: Uma carta para mim mesma enquanto tradutora mais jovem

 

“Recentemente, dei uma palestra a um grupo de estudantes de tradução na minha antiga universidade. Ver os meus professores, o lugar que eu tanto conhecia, ouvir as dúvidas que eu juro ter tido quando era aluna… Tudo isto me fez refletir e voltar no tempo, aos meus dias de estudante. Então, organizei todas as ideias em uma carta para mim mesma enquanto tradutora mais jovem. É isso que eu diria para mim mesma. O que você gostaria, como tradutora, que você soubesse quando era mais jovem?”

 

[…] Muito obrigada pela sua mensagem. É fascinante ver uma estudante jovem e dedicada esforçando-se com o objetivo final de ingressar e obter sucesso na profissão de tradução e interpretação.

Você me pediu conselhos e fico feliz em compartilhar minhas experiências com você. Acho ótimo que você tenha entrado em contato com uma tradutora profissional para saber mais de seus conhecimentos. Todos tiramos proveito ao aprender com colegas e com pessoas mais experientes. Obrigada também por descrever seu histórico, pois isto facilita bastante minhas respostas. Agora, indo direto à sua pergunta principal:

“O que eu gostaria de ter aprendido ou feito quando estava iniciando minha carreira?”

Em primeiro lugar, eu gostaria de ter traduzido mais, desde o início. Já li por aí que se você é escritor, você escreve, e acredito que o mesmo se aplica à tradução. Você é tradutor se você traduz, e eu queria ter sido obstinada e persistente o suficiente para ter traduzido qualquer texto curto, de 200 a 300 palavras, todos os dias, mesmo no início. Este é um exercício excelente que permite a aquisição de experiência por meio de uma variedade de textos enquanto também te ajuda a ter mais confiança. Ou ainda, eu teria tentado encontrar pessoas e grupos para se juntarem a mim, e teria tentado fazer encontros regulares para debater nossas respectivas traduções e opiniões sobre os textos. Isto não só é divertido (escolhi traduzir por um motivo: eu gosto!), mas também ajuda a criar boas práticas profissionais e a melhorar suas habilidades, antes mesmo de você se tornar uma “tradutora profissional”.

Em segundo lugar, e relacionado ao primeiro comentário, lembre-se de se empenhar para melhorar todos os dias, em cada trabalho. Não se acomode depois de concluir sua graduação e nem pense que acabou, que não será preciso se aperfeiçoar. Muito pelo contrário, você deve se dedicar cada vez mais para melhorar com o tempo. Isto é necessário se você quiser trabalhar com uma demanda diferenciada do mercado profissional.

Não existe nenhum curso, webinar, livro, associação profissional e, certamente, nenhum grupo de Facebook capaz de transformá-la em uma tradutora profissional da noite para o dia. Nenhum nível de experiência em negócios ou marketing será capaz de compensar deficiências nas habilidades essenciais. Sem dúvidas, dedique-se para melhorar nos negócios, mas nunca deixe de se empenhar para ser uma tradutora melhor.

Outra coisa que eu gostaria de ter aprendido desde o início é o valor do meu trabalho como tradutora. Você será desvalorizada por grandes corporações, receberá pedidos para trabalhar por preços quase imorais e verá a expressão de espanto no rosto das pessoas quando disser que teve a intenção de começar nesta profissão e que não foi acidentalmente. Não deixe que nada disso afete você. Pelo contrário, que isto sirva para seu fortalecimento e para aumentar sua determinação. A tradução desempenha um papel importante no mundo corporativo e depende de nós para que isto fique claro a todos — aos clientes, a nós mesmos e aos negócios em geral.

Não tenha receio se você não se encaixar perfeitamente no perfil do tradutor ideal, se é que exista tal coisa. Conquiste o máximo que conseguir com suas paixões e talentos, e se tiver outras atribuições profissionais que possam ser oferecidas aos clientes, tome a iniciativa de entrar em contato com clientes em potencial que buscam esses serviços aliados à tradução. Não pense que há uma descrição de trabalho rigorosa na qual você precisa se encaixar. Isso não existe, e esta é uma das maravilhas dessa profissão. Ao mesmo tempo, porém, nunca prometa fazer algo que você não consegue fazer. Jamais deixe de pedir feedback. Aceite as suas limitações, admita seus erros e, acima de tudo, continue aprendendo.

Algo que reconheço desde o início é que iniciar e se estabelecer na profissão é um trabalho árduo. Mas é um trabalho árduo diferente daquele da universidade, ou de qualquer emprego com horários preestabelecidos. Não há notas, promoções e (geralmente!) nem bônus se você fizer um bom trabalho. Você dá duro e a sua recompensa é ter liberdade. Primeiramente, a liberdade de deixar no passado as idas ao escritório e o próprio ambiente de trabalho. Também, a liberdade de viajar e viver onde quiser. E quanto mais estabelecida você estiver, mais tempo você irá recuperar, te dando liberdade para o que desejar e quando desejar. Mas sem dúvidas, você terá que trabalhar!

Para finalizar, ouça seus colegas de profissão, mas ouça ainda mais seus clientes. Eles são fundamentais para medir o quanto seu trabalho é bom — ou não — e se suas qualificações, seu perfil profissional e investimentos em marketing, branding, website e outros estão funcionando para os negócios.

Espero que estes comentários tenham sido úteis e boa sorte! Agora é uma época promissora para entrar na indústria de tradução e interpretação. Desejo-lhe sucesso e dê notícias sobre seu progresso! […]

 

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